TORÁ

Torá mod
Torá

A Lei de Moisés

Edição Bilingue (Hebraico-Português)
do Templo Israelita Brasileiro Ohel Yaacov
Centro Educativo Sefaradi em Jerusalém e
Editora e Livraria Sefer Lda
S. Paulo, 2001

O livro foi-me oferecido por um amigo israelita.
Começamos por ter de nos habituar à leitura que é feita da direita para esquerda, ou seja o livro começa no que consideramos a última página de qualquer livro escrito em português e vai avançando para trás até concluir no que consideramos a primeira página de um livro em português.
A Torá é formada pelos primeiros cinco livros da Bíblia, também chamados o Pentateuco (= cinco rolos), cujos nomes são (em grego e em hebraico):

Génesis – Bereshit
Êxodo – Shemót
Levítico – Vayikrá.
Números – Bamidbar
Deuteronómio – Devarim

Os primeiros nomes dos livros são os que derivam do grego e estão relacionados com o conteúdo, enquanto as denominações hebraicas são retiradas da primeira ou principal palavra do início de cada livro.

Esta edição da Torá é uma edição explicitamente feita para acompanhar nas sinagogas a leitura das Parashot e também das Haftarot recitadas aos sábados nas sinagogas.
Para isso, além dos cinco livros da Torá tem também trechos dos profetas lidos nas sinagogas, entre eles as chamadas Haftarot da Consolação, extraídas de Isaías.

Haftorá (plural haftarot) é um trecho de texto dos profetas lidos na sinagoga após a leitura da parashá (plural parashot), que é o nome dado ao texto semanal da Torá lido na sinagoga.
Este livro é portanto um livro preocupado com o rito religioso.
Por isso, apresenta a diferença praticada pelos dois ritos judaicos, o Sefarad (praticado pelos Sefaradim ou Sefarditas – Judeus originários da Península Ibérica) e o Ashquenaz (praticado pelos ashkenazim ou asquenazitas – originários da Alemanha).

Antes do texto bíblico, tem as orações para a leitura da Torá, começando pelo
“Erguimento da Torá”
“Quando o Hazan chega a Bimá, a Torá é colocada sobre ela: Os Sefaradim costumam erguê-la (hagbahá) antes da leitura e os Ashkenazim depois. Ergue-se o rolo da Torá aberto, para que a Congregação veja o texto manuscrito e diz-se, de pé:
Sagrada e pura é a nossa Torá. Moisés é o homem da verdade e a Torá que nos legou é verdadeira. E esta a Lei que Moisés pôs diante dos filhos de Israel, de acordo com o eterno, por intermédio de Moisés. A Torá (lei) é árvore da vida para os que nela se apegam e os que nela se apoiam são bem-aventurados.”
Seguem-se outras orações como a
“Bênção do Bar-Mitsvá”
“Quando um jovem é chamado a subir à Torá pela primeira vez, ao completar treze anos, seu pai, depois da bênção posterior da Torá, diz:
Baruch shepetaráni meonsho shelaze (Bendito sejas que me isentaste da responsabilidade deste)”.

A Torá é dividida em 54 parashot – porções semanais – a serem lidas durante o ciclo de um ano. Começa na “1. Porção Semanal Bereshit” (Princípio do Génesis) e acaba na “54. Porção Semanal Vezot Haberachá” (cap. 33 e 34 do Deuteronómio).
Importantes são as profusas anotações que o texto nos fornece. São constituídas por comentários destinados a “uma melhor compreensão da Torá. Muitos foram os que dedicaram toda a sua vida ao estudo desta obra. Em nossa edição procuramos seleccionar um pequeno número entre os muitos existentes. Acreditamos que esta pequena selecção de comentários poderá trazer esclarecimentos aos leitores, assim como motivá-los a aprofundar o seu conhecimento por meio de grandes autores”.

Começa com o seguinte comentário à primeira palavra da Bíblia (Bereshit = no princípio):
“1. No princípio – Os primeiros capítulos do Génesis narram os primórdios da Criação. Por serem muito profundos, é difícil compreender todos o seu conteúdo sem um conhecimento prévio dos ensinamentos da Torá, conforme foram revelados do Talmud e na Cabalá.”
Depois continua com comentários a cada palavra importante que vai aparecendo na redacção da criação do mundo por Deus, por exemplo porque é que a palavra Elohim (Deus) é plural e não singular.
O versículo 21 tem a seguinte anotação:
21. grandes peixes – Os antigos babilónios acreditavam que os deuses criaram o mundo depois de uma árdua luta entre fabulosos dragões que haviam precedido à criação. A Torá ensina que mesmo estes são produto da criação de Deus. É por este motivo que no relato do Génesis nenhum animal é designado particularmente, excepto os tanihim (grandes peixes), que significam também dragões.
O versículo 15 do cap. 2 do Génesis (“E tomou o Eterno Deus o homem e colocou-o no jardim do éden para o cultivar e guardar”), tem a seguinte anotação:
“15. para o cultivar – Ainda no Paraíso, Deus ordenou ao homem cultivar o jardim, porque aquele que evita o trabalho, sem criar nem produzir, deixa de representar a imagem do Criador”
O subsequente versículo 18 (“E disse o Eterno Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma companheira”) tem os seguintes comentários:
“18. o homem só – A Torá condena o celibato. O homem é obrigado a contrair matrimónio desde a idade de dezoito até vinte anos se assim o pode fazer (Talmud)
Porém o homem que tem de abandonar o estudo da Torá para procurar manutenção, fica isento desta obrigação até formar uma situação; pois segundo o Talmud, o homem deve primeiro preparar o lar, plantar uma vinha (estabelecer trabalho) e, depois, casar. (Maimónides)
“Quem não tem esposa, vive sem alegria e sem bênção (Talmud)
“Aquele que se casa com mulher virtuosa é como se cumprisse todos os preceitos da Lei”
E mais à frente no versículo 23 – e esta será chamada mulher:
“Na escolha de uma esposa é preciso considerar, dizem nossos doutores, a virtude e a piedade da pessoa e, sobretudo, as dos Pais e irmãos e não a sua fortuna e posição social. Assim a felicidade doméstica é infalivelmente assegurada”.
No capítulo 3, versículo 11 (“acaso da árvore que te ordenei não comer dela, comeste?”) tem a seguinte anotação:
“O saudoso mestre, o Grão-Rabino de Viena, Prof. Chajes, perguntou quando estudávamos no Seminário sobre a narração das árvores do Paraíso: árvore do saber e árvore da vida: será que Deus prefere gente ignorante? Porque assim como foi evitado que Adão e Eva comessem da árvore da vida, poderia também ter sido obstruído o gozo da árvore do saber, o que não foi contra a vontade divina. Então qual foi a razão da expulsão do Éden. E Rav Chajes responde: o pecado consistia em terem comido de uma fruta madura que eles não plantaram, para a qual não contribuíram em nada, nem esforço e menos ainda cuidado. Cada ser humano deve aspirar à sabedoria, mas ela tem que ser obtida por esforço próprio, pois somente o pensamento independente do homem, o reconhecimento pessoal, o aprofundamento individual no estudo, tem valor e prevalece.”

Como conclusão da apresentação deste livro, não posso deixar de dizer que é pena não estar à disposição de todo o público interessado uma publicação como esta, que nos dá a conhecer o fundamento da rica cultura judaica.

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